Uma janela, a palavra "saudade" repetida, uma frase simples sobre a vontade de amar.Uma imagem completa. Pena não ser eu essa janela, não ser eu essa saudade, não ser eu esse amor. Posso apenas fazer-me parede e manchar-me de palavras boas ou más, tanto faz...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Encomendas
O "Zapping sobre as madrugadas idênticas"
Pode chegar à sua caixa postal
Ainda antes do Natal!
Ponha aqui coordenadas autênticas:
ecomendaszapping@gmail.com
Depois, é só esperar... e tal:)
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Zapping nas bocas do mundo
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Razões de sobra para isto dos livros
domingo, 26 de agosto de 2012
domingo, 25 de setembro de 2011
Apresentação em Almada
Há sensivelmente um ano, recebia a notícia do Prémio Literário Cidade de Almada-2010 como um agradável acrescento aos meus dias felizes. Há um ano a felicidade parecia não ter fim, ao contrário do que ouvi dizer numa canção de Vinicius de Moraes: “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Sempre quis e sempre consegui contrariar esses versos, tirando à felicidade esse estigma do efémero. Ainda agora, apesar de saber e de viver a infinitude da tristeza, teimo em não avistar um fim à felicidade.
Hoje esta pessoa que fez em “zapping sobre as madrugadas idênticas” um conjunto de reflexões sobre as inquietações mais lúgubres do ser humano, percebe cabalmente aquilo que escreveu. Era escusado, digo eu falando com o meu próprio percurso. Preferia mil vezes que a literatura permanecesse na caixa de ferramentas que se vai buscar ocasionalmente à despensa e, que nos facilitam e compõem a edificação da vida. O leitmotiv que me impulsionou para a escrita deste livro (tentar perceber como consegue o ser humano resistir à tragédia) saiu definitivamente do registo da especulação e da observação com a recente perda do meu sobrinho Luís, a quem sigo devota de um amor incondicional.
O amor no epicentro da vida. Sim, a vida: essa possibilidade que nos acontece a todos. Viver é uma possibilidade. Viver no epicentro do amor é uma opção, a maior e a melhor opção que cada um pode tomar, parece-me. É por essa razão que estou hoje aqui em zapping (quer este estrangeirismo signifique troca, mudança, exercício do poder ou a ilusão que às vezes temos, enquanto criadores, de que podemos controlar o tempo, e que tendo esse controlo, temos as rédeas de tudo).
Este “Zapping” hoje é feito com o André Soares, porque sei como gosta de ir pela palavra aos lugares cimeiros do pensamento humano, sei como gosta da partilha, mas sei essencialmente como consegue desprezar a palavra, quando em disputa com um abraço. É por essas razões que o André e o seu filme “pela palavra”, excelente homenagem à poesia e à sua universalidade, uma soberba sinfonia babilónica, um saber estar nos lugares a que se vai - Porque sei que o André nunca vai a lugar nenhum sem o compromisso de se pôr em esquadria com as pessoas desses lugares, como o provará este documentário. Mas a razão maior nem é essa e nem se quer camuflada: o André está aqui por uma razão muito mais premente e óbvia (espantem-se e protestem se quiserem!): O André está aqui porque é meu amigo e porque nem eu, nem ele, por muitas contrariedades que nos surjam, saberemos abdicar da possibilidade de contagiar com amor quem nos acompanha, ou abdicar dessa possibilidade capital, que é a vida.
O livro, esse, prefiro destacá-lo destas vivências essenciais e tratá-lo como aquilo que é: um objeto. Será um objeto com alguma literariedade, certamente, será um objeto suscetível ao toque, mesmo na sua ausência, será um objeto que por vezes se confunda com um ser vivo. E é exatamente assim que o tenho tratado, desde que, na minha cabeça, se afigurou que se tratava de um livro, este objeto passou a ter vida própria. Tem sido assim a sua distribuição: independente e livre, emancipado pela sua estrutura externa e interna, numa entrega cuidada, que me leva a alterar o próprio conceito de distribuição de livros: o “zapping sobre as madrugadas idênticas” é o único livro deste país que está a ser partilhado, ao invés de distribuído, como qualquer outra mercadoria. Se o adquirirem, continuem essa partilha que a si próprio se impôs.
Resta-me agradecer a todos quantos estiveram e continuam de pedra e cal a acompanhar este processo cujo primeiro ciclo se encerra, hoje, em Almada, no lugar onde se iniciou a sua partilha. À cabeça, a minha agente e amiga Maria do Sameiro Mendes, incansável e inestimável faz-tudo promocional deste livro, à Herdade da Malhadinha Nova pela companhia nas leituras públicas, regadas com os seus vinhos; à Armandina Maia por nos acompanhar a mim e ao livro com o cuidado e atenção que guardamos apenas para os que nos são muito; ao João Candeias e José Correia Tavares, que (também) souberam distinguir o livro entre tantos; à Câmara Municipal de Almada, por ser um exemplo raro na consideração da cultura, em geral, e da literatura em particular como um dos pilares do “nosso dever de ser gente”, nas palavras de Cesariny. A minha devota amizade ao André Soares e à Elena Alves que hoje darão voz às minhas palavras, agora vossas. Mas também a todos os que se atreveram já em leituras públicas e outras cumplicidades e que por exercício de soberba vou aqui nomear, enquanto me parece que escrevo no lugar exato onde sempre quis escrever: na barriga do tempo, nos nossos ventres.
A António Durães, Manuela Martinez, Luísa Fontoura, Luís Novais, Bruno Malheiro, Marta Peixoto, Jorge Louraço, Hugo Curado, Vasco Freire, Anabela Campos, António Ferra, Hannes Reis, Liliana Palhinha e Elsa Fernandes.
Ao Luís, que representará sempre o melhor trecho que alguma vez ajudei a escrever.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Importa-se de repetir?
Do périplo realizado até ao momento pelo país, e antes da primeira apresentação no estrangeiro, resultam alguns momentos e frases soltas que me ficaram (mais ou menos) gravados na memória. Fica uma amostra do que tem sido esta peculiar distribuição do Zapping sobre as madrugadas idênticas:
“Tem génio e tem talento!”
Armandina Maia - professora, escritora e crítica literária, referindo-se à autora do livro “zapping sobre as madrugadas idênticas”, na Casa das Artes em Arcos de Valdevez.
“Era um conjunto de folhas muito mal amanhadas…”
Idem, ibidem, sobre as primeiras impressões causadas pelo Zapping no júri do Prémio de Almada.
“Não quero, nem me compete, fazer uma divagação pela história do Homem contemporâneo. Mas Zapping pede que se faça, ao menos, uma breve contextualização, até porque esses anos que vão de 1914 a 1918 são, sem dúvida, um dos marcos fundadores da angústia dos nossos dias”
Luís Novais – escritor, apresentando o Zapping em Braga, na Livraria Capítulos Soltos
“Pá, não podes desvalorizar o teu trabalho! É muito bom e merece ser mostrado!”
Jorge Louraço Figueira – (entre outras coisas) dramaturgo, em conversa que se seguiu à apresentação do Zapping, numa mesa (repleta de bom vinho, diga-se!) do bar Maria vai com as outras, Porto.
“A Eugénia tem coisas para dizer e isso é bom e raro!”
Anabela Campos – pessoa que ali estava (e que tem estado sempre e bem) a ouvir, a falar e a ler, entre muitas pessoas que também estão sempre bem e que também leram e conversaram, com vagar, na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.
“Vamos tomar o pequeno-almoço na praia!”
Aménia Grangeia – pessoa que gosta de mim e de quem eu gosto também, depois do que não se passou no “Mercado Negro”, em Aveiro. (Foi um belo pequeno-almoço!)
“Eu sabia que havia uma razão muito forte para a Eugénia estar aqui (…) Nunca a apresentação de um autor à própria obra me surpreendeu tanto(…) Obrigada pela sua escrita!”
Liliana Palhinha, Livraria Pátio de Letras, Faro
“O vinho é mesmo bom!”
Pessoa que evidentemente sabe o que é viver, em referência ao vinho que acompanhou algumas das leituras e conversas sobre o Zapping, O Monte da Peceguina, da Herdade da Malhadinha Nova.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Olhó Livro Fresquinho!
Amig@s:
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Boas notícias
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Apresentações, lançamentos, arremessos e outros modos de vos dar com isto!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Livrarias com "zapping sobre as madrugadas idênticas"
quarta-feira, 30 de março de 2011
Zapping sobre as madrugadas idênticas (generalizações românticas)
Como sabem, o Zapping sobre as madrugadas idênticas já me veio parar às mãos. O que muitos não sabem é que optei por fazer uma edição de autor. O risco é grande, as razões para esta decisão são várias, mas (juízos de valor sobre editores e editoras à parte) vou destacar uma: apetece-me intervir no mercado dos livros e mostrar que o mercado tradicional nos faz melhor, nos serve melhor e nos sabe melhor.
Por isso, resolvi distribuir o livro apenas em livrarias independentes, a cargo de pessoas que realmente gostam de livros e de literatura, e afastá-lo o mais possível das mãos dos grandes grupos livreiros, que se foram instalando nas grandes superfícies comerciais, onde grandes quantidades de pessoas se acotovelam em busca da última geringonça tecnológica e, sem querer, esbarram com um ou outro livro com pinta de best-seller e/ou aqueloutro que foi Nobel, envolto numa faixa pirosa com muitas frases de pessoas muito impressionadas a desfazerem-se em bajulações impressionantes. Não se lhes resiste e compram-se. Ficarão bem na estante da sala, certamente.
O zapping sobre as madrugadas idênticas também leva uma faixa. Não é pirosa. Não é pirosa. Não é pirosa. Repito-o mais para me convencer a mim do que a terceiros. Pode, até, ter um carácter utilitário: retirem-na e usem-na como separador. Não deixem o livro a sofrer de tédio na estante da sala: toquem-lhe, toquem-lhe muito até que fique maleável, até que o vosso cheiro se confunda com o seu. Depois, leiam-no com autoridade para a criação, como quem lhe dá voz, como quem se embrenha, constrói e desconstrói o caos literário, como quem é guiado, como quem escreve.
É verdade, eu ainda tenho uma ideia romântica dos livros e da literatura, careço de um sentido objectivo, escapo-me muito, emociono-me por existir, e, por isso, troco o pseudo mecenato editorial por esta usurpação pessoal, seguindo (e perseguindo) com rigor, apenas, a vontade.
A distribuição começará a ser feita na segunda semana de Abril. Ainda não há uma lista definitiva de todas as livrarias, mas vim cá prometer que essa será a próxima entrada neste blogue.
Leiam muito e emocionem-se mais.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Zapping sobrea as madrugadas idênticas (perto da emancipação)
Os que aqui passam já sabem disto: O Zapping está para me vir às mãos e o IVA vai voltar a subir. Eu, à semelhança do Jesus Cristo de Pessoa, de finanças não percebo nada, apesar das esperanças um dia depositadas num peteiro com focinho de porco, que um dos meus irmãos tratou de pôr em cacos para comprar chicletes, ou lá o que foi. Estávamos em 1983. Eu tinha 10 anos. Por essa altura, mais ou menos, o FMI passou por cá. E agora eu sei que foi uma injustiça ter culpado os meus irmãos por aquele incidente com o porquinho mealheiro…
Consta que o FMI estará para voltar, mas isto há que crescer e aprender, de formas que, agora, não serei apanhada desprevenida com tostões amealhados num recipiente de cerâmica. Não, mil vezes: “Não!”. Essa coisa de brincar às economias ficou-se por ali, na infância, que é período adequado para a brincadeira. Nunca mais juntei um tostão na vida, juro que não! A vida não está para desilusões, por isso associei-me ao papel com a firme consciência de que, se lhe chegar fogo, arde.
Lições de economia à parte, o que eu quis dizer nos últimos dois parágrafos foi mais ou menos o mesmo que o José Mário Branco disse, quando de “um só jorro” escreveu o que escreveu, inspirado nessa outra visita do FMI, cuja citação (devido, sobretudo, ao enlevo semântico) não resisto a pôr aqui: “Eu quero que o FMI se foda!” e “Quero ser feliz, porra!”.
E agora o que, de facto, interessa: na segunda-feira, um dos meus livros iniciará o seu conturbado período de emancipação: Vai-se embora de mim, embora grite comigo, com o Zé Mário Branco e com quem nos queira acompanhar: “Quero ser feliz, porra!”. “Que tenha uma boa horinha” como alguém já disse.
Passarei por cá com uma lista de livrarias onde o poderão encontrar. Não será extensa, mas poderá cobrir grande parte do território nacional (se é que se lhe pode, ainda, chamar assim).
P.S – Este texto tem uma ou duas passagens irónicas, mas é para ser levado a sério!
sexta-feira, 4 de março de 2011
Zapping sobre as madrugadas idênticas (sinopse)
Apesar da inspiração na vida de Mata Hari - a espiã holandesa, acusada de agente dupla e condenada pelos franceses, durante a Grande Guerra - o que, de facto, interessa neste romance não é o indivíduo em si, mas aquilo que o domina interiormente: as suas paixões, os seus impulsos, as suas inquietações e um misto de insurreição e subjugação à sua existência.
Um narrador único e sem nome, bisneto inventado a Mata Hari, projecta o seu domínio em dois momentos distintos da história: um que tem início, em Paris, no dia da morte de Mata Hari (1917), e outro que acontece em Lisboa, 86 anos depois, e que assinala dois acontecimentos com sentimentos violentamente contraditórios: o nascimento da sua filha, por um lado, e a morte da sua esposa, por outro.
É com estes rastilhos que se incendeiam dois universos paralelos, tocando-se sempre na diferença dos seus mundos, das suas histórias e na comunhão das suas vontades deambulatórias.
sábado, 18 de setembro de 2010
Zapping sobre as madrugadas idênticas (excerto)
Isto pensava Jean, enquanto afundava as mãos velhas no corpo a envelhecer cada vez mais e já não o sentia tanto. Pensava Jean que precisava de mais luz e deslocava-se para sul. Cada vez mais procurava o sul num desnortear constante. E um dia, pensava Jean que vivia no ponto mais a sul da Europa e vivia no ponto mais a sul da Europa, só que não era bem da Europa que se tratava, era a ocidental praia lusitana: só uma praia com o mar a dar na areia. Pensava Jean que lugar seria aquele, aonde chegara, seguindo a luz e se encontrou no meio das trevas. Pensava Jean que até às trevas chega a luz e punha-se a acender archotes nas mãos, que já não se lhe afundavam só no corpo. Pensava Jean que talvez a luz desse lugar fosse demasiada e turvasse a visão das pessoas, e resolveu ficar por ali na esperança de regular essa luz na medida exacta das suas necessidades. Pensava Jean que se um homem só pode provocar cegueira nas gentes, também ele sozinho poderia iluminar algumas almas. Pensava Jean que na areia da praia poderia fazer um jardim e lá plantaria cravos vermelhos, para mais tarde outros colherem, mas muito mais tarde, que a areia não é local apropriado para grandes culturas. Pensava Jean na sua filha e descobria uma família (e aqui Jean pensava em netos, e nascia a minha irmã, e pensava em mais netos e nascia eu). Pensava Jean no tamanho da sua família e faltava-lhe o sul. Pensava Jean que se voltava, de novo, para norte, e voltava-se de novo para norte, mas não caminhava nessa direcção, porque o cansaço o ia sentando na areia dessa praia imensa. Pensava Jean que afundava as mãos velhas num corpo mais velho que as mãos, e faltavam-lhe forças para pensar que vivia, ainda que só pela ilusão das mãos. Pensava Jean que estava cansado e sobre o que o teria cansado assim tanto. E pensava que ficaria por ali a adivinhar o seu cansaço. Pensava Jean que contaria o seu cansaço e, quando eu colhi, finalmente, o primeiro cravo do seu jardim de areia, ele pensou que me contaria o seu cansaço. Pensava Jean que me contava a sua vida. Pensava eu que a ouvia sem distracções e que aprendia a viver melhor.
Pensava Jean em viver a grande metáfora do mundo, em criar a grande metáfora do mundo. E naquele momento em que perdeu Non, percebeu o significado disso. Percebeu que essa metáfora se procura e se vai crescendo, como um balão a que se propulsione algum ar, mas nunca o ar todo, para que não rebente o balão, para que o ar não se esgote. Percebeu que em 100 anos que vivesse continuaria à procura dessa metáfora. Que a vida lhe imporia que continuasse essa busca na certeza de que a grande metáfora do mundo é aquilo que a realidade dá a viver e se põe a transformar. A grande metáfora da vida é a realidade e a realidade é só o momento em que sentimos. Nenhum dos outros momentos existem, são apenas esboços, traços difusos daquilo que queríamos estar a viver, daquilo que queríamos estar a sentir. Pensava Jean que sentia e que o pensamento era a metáfora desse sentir. E enquanto pensava Jean, passava o tempo em que tudo sentia, em que tudo ia sendo real.