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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Encomendas


O "Zapping sobre as madrugadas idênticas" 
Pode chegar à sua caixa postal 
Ainda antes do Natal!
Ponha aqui coordenadas autênticas:

ecomendaszapping@gmail.com

Depois, é só esperar... e tal:)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Zapping nas bocas do mundo



“Na nota hoje divulgada, é dado a saber que o júri ratificou a proposta de um dos membros no sentido de ser recomendado para publicação o romance “Zapping sobre as madrugadas idênticas”, de Maria Eugénia da Silva Brito, pela originalidade do tema, estilo narrativo intenso e bem construído, mantendo o leitor numa expectativa constante até à resolução da trama ficcional.”



O parágrafo acima é retirado de uma nota (pelos vistos), retirada de outra nota divulgada pelos organizadores de um prémio literário (Prémio Nacional Dias de Melo, das lajes do pico, nos Açores). Não ganhei o prémio, mas o livro foi “recomendado para publicação”, o que é de enorme lisonja (e de alguma estranheza também, pois parece-me isto inédito: menções honrosas são normais, agora ratificar opiniões de um dos jurados, parece-me estranho). Seja como for, o reconhecimento sobre aquilo que fazemos sabe sempre bem. E sobre esse assunto não tenho mais nada a dizer.


Há, no entanto, coisas que devo dizer sobretudo àqueles que visitam este blogue espontaneamente, o que quer dizer, que de facto apreciam o meu trabalho e querem segui-lo. Não vos quero agradecer porque estas coisas não se agradecem, mas quero talvez pedir-vos desculpa por fazer cu doce (enorme expressão brasileira, que significa exatamente isso: Pôr açúcar no cu com segundas intenções). 


Temendo que isto fique demasiado críptico, passo a explicar: Orgulho-me de dizer que o “zapping sobre as madrugadas idênticas” é muito mais do que um livro, um projeto pioneiro e único em todo o país, desde o reconhecimento pelo júri do Prémio Literário Cidade de Almada- 2010 (Isto do que é público). Todos os que aqui vêm sabem que a edição é minha, mas não saberão muito bem porquê. Eu digo-vos: porque as editoras não estão interessadas em fazer o seu trabalho convenientemente. E com todo o respeito que tenho por aqueles que tentam, quero que isso fique bem vincado: foi por verificar a manifesta incompetência das editoras deste país, que me decidi por uma edição de autor. Sei que isto pode parecer uma generalização parva, mas vamos lá a raciocinar em conjunto: O meu livro ganhou um prémio, é notícia num jornal de dimensões nacionais – O Expresso (mas creio que só na edição online), há outras referências na imprensa, a coisa é falada. E de todo o universo de gente que trabalha em edições de livros, eu recebo duas propostas: uma seguramente desonesta, a outra sem grande convicção. Espero mais um pouco. Não acontece nada. Porquê? – Porque estes senhores, ao invés de fazerem o seu trabalho e procurarem o que mais lhes deve interessar (livros e escritores), ficam à espera que seja o autor-coitadinho a suplicar – Não o fiz, claro! – O meu trabalho é escrever, não é publicar.


Agora, reparem nisto: o “zapping” é distribuído apenas em livrarias independentes, deixando de fora, intencionalmente, os grandes grupos livreiros. (parece que recentemente Pilar del Rio tomou também parte de uma iniciativa de incentivo às livrarias independentes - bem haja!); Por essas livrarias andamos, eu, o livro e a minha “agente” e amiga Maria do Sameiro (que sem qualquer currículo na área fez mais trabalho do que faz qualquer distribuidor instalado no mercado – declarações dos próprios livreiros), em conversas e apresentações sempre muito agradáveis. Algumas iniciativas originais são tomadas, de entre as quais refiro a oferta de livros a passageiros da CP- iniciativa que a própria CP parece ter copiado (em boa hora, e sem ressentimentos!).


O envio do Zapping para outro prémio, com características idênticas, é parte desse trabalho de distribuição (não estava à espera de ganhar outro prémio, mas foi uma boa hipótese de provocar a sua leitura). Estes prémios de menor dimensão monetária têm, por vezes, gente de maior valor literário do que os grandes prémios cheios dos vícios das editoras e de alguma imprensa (normalmente a que se dedica precisamente aos livros e que tem ligações aos grandes grupos editoriais, por isso, fala só do que lhe convém). A “panela” das centenas de milhares de euros é muito pequena e em termos de aprendizagem sobre a escrita vale o que vale (é sempre incalculável, claro), mas não vale seguramente pela novidade ou inovação.

As minhas desculpas são para as pessoas que não terão oportunidade de ler esta nota, nem nenhumas das que por aqui vou pondo. Se houvesse outra imprensa em Portugal, talvez já tivessem ouvido falar do “Zapping sobre as madrugadas idênticas”, talvez até já o tivessem lido e ninguém aqui teria que se lamentar ou agradecer.

Não quero com isto dizer que escrevi o maior livro de todos os tempos e que ele foi injustiçado. Quero com isto dizer que, provavelmente, os melhores livros que se escrevem no mundo não foram nem nunca serão revelados ao mundo. E eu tenho muita pena!



Parabéns ao João Negreiros pelo primeiro romance e pelo prémio agora recebido! 





quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Razões de sobra para isto dos livros


A propósito do último post e essencialmente para aqueles que estão a pensar: “ah, grande coisa, vender 600 livros num ano!”, tenho várias coisas a dizer:
Primeiro: é uma grande proeza, sim senhor, distribuir livros de uma escritora que nunca ninguém viu nem em revistas, nem em jornais, muito menos em televisões (sobre isto não me alongarei, pois tomo os escassos leitores deste espaço como pessoas razoavelmente inteligentes e bem informados ao ponto de perceberem o funcionamento do mercado livreiro neste país).
Segundo: Distribuir um livro sem editor e sem distribuidor é obra de gente movida a muita paciência, persistência, um travo de loucura e, essencialmente, amor - Aqui há de tudo isso em doses generosas.
Terceiro: Não há público leitor em Portugal. Há umas pessoas que leem uns livros e, essas pessoas e esses livros repetem-se muito. Nenhum dos supostos amantes de literatura deste país se atreve por uma leitura não referenciada.
Quarto: o meu livro só seria referenciado se eu fizesse aquelas coisas inauditas que as pessoas fazem para que os críticos gostem de os criticar. É sabido que eu não faço coisas inauditas. A única coisa que faço, em relação a isso dos livros, é escrever, com o intuito de, de vez em quando, escrever excepcionalmente bem. Mais do que isso é fastidioso.
Quinto: Se uma editora (daquelas a sério, como ainda há quem julgue existir em Portugal) tivesse editado o meu livro, seguramente, há mais de um ano que ele estaria fora de circulação e grande parte da edição poderia muito bem ser dada a abate.
Sexto: as livrarias portuguesas sofrem imenso com a falta de hábitos de leitura neste país. Eu tentei perceber como sobrevivem, tentei até ser solidária com elas ao dar-lhes o exclusivo desta edição (as grandes superfícies comerciais foram propositadamente excluídas da distribuição). Muitas não souberam apreciar o gesto, outras ganharam novo alento com a ideia, outras desapareceram a meio do processo. Eu, no fundo, não fiz mais do que saber de tudo isto por dentro.
Sétimo: os escritores portugueses não se importam de ser mal tratados. Não se importam com a miséria de direitos de autor que ganham ou não ganham, ou perdem, ou até nem sabem muito bem o que isso significa. Ganham dinheiro através da escrita, mas não necessariamente com aquilo que escrevem. E aceitam isso. E acham isso razoável. Acham aceitável autoproclamarem-se escritores porque fazem aparições em sítios, como aquelas pessoas dos reality shows. Seja como for, os escritores portugueses sofrem imenso com a falta de hábitos de leitura neste país, tal como os livreiros; quanto mais não seja porque amam os livros e porque é triste ver os que amamos votados à solidão e ao abandono.
Oitavo: “livros são papéis pintados com tinta”, quem não percebe a ironia contida neste verso, pode voltar a ler tudo de novo.

domingo, 25 de setembro de 2011

Apresentação em Almada


Há sensivelmente um ano, recebia a notícia do Prémio Literário Cidade de Almada-2010 como um agradável acrescento aos meus dias felizes. Há um ano a felicidade parecia não ter fim, ao contrário do que ouvi dizer numa canção de Vinicius de Moraes: “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Sempre quis e sempre consegui contrariar esses versos, tirando à felicidade esse estigma do efémero. Ainda agora, apesar de saber e de viver a infinitude da tristeza, teimo em não avistar um fim à felicidade.

Hoje esta pessoa que fez em “zapping sobre as madrugadas idênticas” um conjunto de reflexões sobre as inquietações mais lúgubres do ser humano, percebe cabalmente aquilo que escreveu. Era escusado, digo eu falando com o meu próprio percurso. Preferia mil vezes que a literatura permanecesse na caixa de ferramentas que se vai buscar ocasionalmente à despensa e, que nos facilitam e compõem a edificação da vida. O leitmotiv que me impulsionou para a escrita deste livro (tentar perceber como consegue o ser humano resistir à tragédia) saiu definitivamente do registo da especulação e da observação com a recente perda do meu sobrinho Luís, a quem sigo devota de um amor incondicional.

O amor no epicentro da vida. Sim, a vida: essa possibilidade que nos acontece a todos. Viver é uma possibilidade. Viver no epicentro do amor é uma opção, a maior e a melhor opção que cada um pode tomar, parece-me. É por essa razão que estou hoje aqui em zapping (quer este estrangeirismo signifique troca, mudança, exercício do poder ou a ilusão que às vezes temos, enquanto criadores, de que podemos controlar o tempo, e que tendo esse controlo, temos as rédeas de tudo).

Este “Zapping” hoje é feito com o André Soares, porque sei como gosta de ir pela palavra aos lugares cimeiros do pensamento humano, sei como gosta da partilha, mas sei essencialmente como consegue desprezar a palavra, quando em disputa com um abraço. É por essas razões que o André e o seu filme “pela palavra”, excelente homenagem à poesia e à sua universalidade, uma soberba sinfonia babilónica, um saber estar nos lugares a que se vai - Porque sei que o André nunca vai a lugar nenhum sem o compromisso de se pôr em esquadria com as pessoas desses lugares, como o provará este documentário. Mas a razão maior nem é essa e nem se quer camuflada: o André está aqui por uma razão muito mais premente e óbvia (espantem-se e protestem se quiserem!): O André está aqui porque é meu amigo e porque nem eu, nem ele, por muitas contrariedades que nos surjam, saberemos abdicar da possibilidade de contagiar com amor quem nos acompanha, ou abdicar dessa possibilidade capital, que é a vida.

O livro, esse, prefiro destacá-lo destas vivências essenciais e tratá-lo como aquilo que é: um objeto. Será um objeto com alguma literariedade, certamente, será um objeto suscetível ao toque, mesmo na sua ausência, será um objeto que por vezes se confunda com um ser vivo. E é exatamente assim que o tenho tratado, desde que, na minha cabeça, se afigurou que se tratava de um livro, este objeto passou a ter vida própria. Tem sido assim a sua distribuição: independente e livre, emancipado pela sua estrutura externa e interna, numa entrega cuidada, que me leva a alterar o próprio conceito de distribuição de livros: o “zapping sobre as madrugadas idênticas” é o único livro deste país que está a ser partilhado, ao invés de distribuído, como qualquer outra mercadoria. Se o adquirirem, continuem essa partilha que a si próprio se impôs.

Resta-me agradecer a todos quantos estiveram e continuam de pedra e cal a acompanhar este processo cujo primeiro ciclo se encerra, hoje, em Almada, no lugar onde se iniciou a sua partilha. À cabeça, a minha agente e amiga Maria do Sameiro Mendes, incansável e inestimável faz-tudo promocional deste livro, à Herdade da Malhadinha Nova pela companhia nas leituras públicas, regadas com os seus vinhos; à Armandina Maia por nos acompanhar a mim e ao livro com o cuidado e atenção que guardamos apenas para os que nos são muito; ao João Candeias e José Correia Tavares, que (também) souberam distinguir o livro entre tantos; à Câmara Municipal de Almada, por ser um exemplo raro na consideração da cultura, em geral, e da literatura em particular como um dos pilares do “nosso dever de ser gente”, nas palavras de Cesariny. A minha devota amizade ao André Soares e à Elena Alves que hoje darão voz às minhas palavras, agora vossas. Mas também a todos os que se atreveram já em leituras públicas e outras cumplicidades e que por exercício de soberba vou aqui nomear, enquanto me parece que escrevo no lugar exato onde sempre quis escrever: na barriga do tempo, nos nossos ventres.

A António Durães, Manuela Martinez, Luísa Fontoura, Luís Novais, Bruno Malheiro, Marta Peixoto, Jorge Louraço, Hugo Curado, Vasco Freire, Anabela Campos, António Ferra, Hannes Reis, Liliana Palhinha e Elsa Fernandes.

Ao Luís, que representará sempre o melhor trecho que alguma vez ajudei a escrever.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Importa-se de repetir?

Do périplo realizado até ao momento pelo país, e antes da primeira apresentação no estrangeiro, resultam alguns momentos e frases soltas que me ficaram (mais ou menos) gravados na memória. Fica uma amostra do que tem sido esta peculiar distribuição do Zapping sobre as madrugadas idênticas:

“Tem génio e tem talento!”

Armandina Maia - professora, escritora e crítica literária, referindo-se à autora do livro “zapping sobre as madrugadas idênticas”, na Casa das Artes em Arcos de Valdevez.

“Era um conjunto de folhas muito mal amanhadas…”

Idem, ibidem, sobre as primeiras impressões causadas pelo Zapping no júri do Prémio de Almada.

“Não quero, nem me compete, fazer uma divagação pela história do Homem contemporâneo. Mas Zapping pede que se faça, ao menos, uma breve contextualização, até porque esses anos que vão de 1914 a 1918 são, sem dúvida, um dos marcos fundadores da angústia dos nossos dias”

Luís Novais – escritor, apresentando o Zapping em Braga, na Livraria Capítulos Soltos

“Pá, não podes desvalorizar o teu trabalho! É muito bom e merece ser mostrado!”

Jorge Louraço Figueira – (entre outras coisas) dramaturgo, em conversa que se seguiu à apresentação do Zapping, numa mesa (repleta de bom vinho, diga-se!) do bar Maria vai com as outras, Porto.

“A Eugénia tem coisas para dizer e isso é bom e raro!”

Anabela Campos – pessoa que ali estava (e que tem estado sempre e bem) a ouvir, a falar e a ler, entre muitas pessoas que também estão sempre bem e que também leram e conversaram, com vagar, na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.

“Vamos tomar o pequeno-almoço na praia!”

Aménia Grangeia – pessoa que gosta de mim e de quem eu gosto também, depois do que não se passou no “Mercado Negro”, em Aveiro. (Foi um belo pequeno-almoço!)

“Eu sabia que havia uma razão muito forte para a Eugénia estar aqui (…) Nunca a apresentação de um autor à própria obra me surpreendeu tanto(…) Obrigada pela sua escrita!”

Liliana Palhinha, Livraria Pátio de Letras, Faro

“O vinho é mesmo bom!”

Pessoa que evidentemente sabe o que é viver, em referência ao vinho que acompanhou algumas das leituras e conversas sobre o Zapping, O Monte da Peceguina, da Herdade da Malhadinha Nova.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Olhó Livro Fresquinho!


Amig@s:

Acabo de abrir (agora mesmo) o grande e monumental concurso: "Olhó Livro Fresquinho":)

Consiste isto no seguinte: oferecer um livro à pessoa que, de forma mais expedita e com um sentido literário mais ou menos alinhavado, se atreva a escrever um comentário neste blogue, usando as palavras: "Zapping", "Vinho" e "acadar". (Esta última porque é um regionalismo que muito poucos conhecem e assim sempre têm algum trabalho, coisa que faz muito bem à alma e à produtividade do país!).

O júri será constituído por um jurado único, a minha mãe, que para além de ser pessoa de idoneidade assinalável, não tem a mania que sabe de literatura, mas sabe. sabe de tudo, como compete às mães.
Tenham um bom dia e palavras afinadas!

nota: o livro em questão é o "Zapping sobre as madrugadas idênticas" aí de uma pessoa que muito estimo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Boas notícias

O Boas notícias, esse mundo de comunicação do eixo do bem, considera a edição e distribuição do "zapping sobre as madrugadas idênticas" uma notícia boa. Acho que percebo porquê e gostava muito que vocês também percebessem a brutalidade que é isto de ser-se autor neste país. Mas a minha indignação ainda "vai no adro", por isso espero que rebente para vos entregar em mãos os estilhaços dessa condição.
Os meus parabéns ao Boas Notícias pelo espaço singular que apresenta. Que seja, de facto, um mundo em crescimento.
Parece-me que a seguir vem um link, mas não garanto:)


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Apresentações, lançamentos, arremessos e outros modos de vos dar com isto!

Caríssim@s,

Andarei por estes dias e locais a fazer conversa, leituras (e outras inexpugnáveis diabruras:) com e por causa do livro "Zapping sobre as madrugadas idênticas":

29 de Abril: Livraria Centésima Página, Braga;
1 de Maio: Auditório da casa das artes, Arcos de Valdevez;
14 de maio: Maria vai com as outras, Porto;
20 de Maio: Livraria Ler Devagar, Lisboa;
27 de Maio: Mercado Negro, Aveiro;
28 de Maio: Livraria Capítulos soltos, Braga;
3 de Junho: Livraria Pátio de Letras, Faro;


Estarei (quase) sempre acompanhada por pessoas suficientemente audazes para não se importarem com isso de figurarem ao meu lado e, lá uma vez por outra, prometemos surpreender até os mais prevenidos.
Apareçam, como e onde puderem e levem um/a amigo/a! Não precisa de ser giro/a, desde que goste de ler... e vice-versa:).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Livrarias com "zapping sobre as madrugadas idênticas"

O "zapping sobre as madrugadas idênticas" encontra-se nas seguintes livrarias independentes (se ainda não se encontra em todas, vai a caminho).

Arcos de Valdevez: Associação Padre Himalaya; Papelaria moderna; Livraria e papelaria Arco-íris, e Casa das artes;

Aveiro: Mercado Negro;

Berlim (sim, Alemanha!): A Livraria (Torstr. 159);

Braga: Livraria Centésima Página; Librobraga; Bracara e Livraria Minho;

Casa do professor: loja online;

Évora: Livraria Nazareth;

Faro: Pátio de Letras;

Funchal:Livraria Esperança;

Guimarães: A loja do Júlio alfarrabista e Livraria Pinto Santos;

Lisboa: Letra Livre, Pó dos livros e Ler devagar;

Montemor-o-Novo: Fonte das Letras;

Ponte da Barca: Belião;

Porto: Index Livraria, Livraria Lello e maria vai com as outras;

Póvoa de Varzim: Livraria Minerva;

Sines: A. das Artes;

Sta Maria da Feira: Vício de Letras;

Vila Real: Livraria e papelaria Branco;

Viana do Castelo: Geográfica Livraria;

Viseu: Livraria Pretexto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Zapping sobre as madrugadas idênticas (generalizações românticas)


Como sabem, o Zapping sobre as madrugadas idênticas já me veio parar às mãos. O que muitos não sabem é que optei por fazer uma edição de autor. O risco é grande, as razões para esta decisão são várias, mas (juízos de valor sobre editores e editoras à parte) vou destacar uma: apetece-me intervir no mercado dos livros e mostrar que o mercado tradicional nos faz melhor, nos serve melhor e nos sabe melhor.

Por isso, resolvi distribuir o livro apenas em livrarias independentes, a cargo de pessoas que realmente gostam de livros e de literatura, e afastá-lo o mais possível das mãos dos grandes grupos livreiros, que se foram instalando nas grandes superfícies comerciais, onde grandes quantidades de pessoas se acotovelam em busca da última geringonça tecnológica e, sem querer, esbarram com um ou outro livro com pinta de best-seller e/ou aqueloutro que foi Nobel, envolto numa faixa pirosa com muitas frases de pessoas muito impressionadas a desfazerem-se em bajulações impressionantes. Não se lhes resiste e compram-se. Ficarão bem na estante da sala, certamente.

O zapping sobre as madrugadas idênticas também leva uma faixa. Não é pirosa. Não é pirosa. Não é pirosa. Repito-o mais para me convencer a mim do que a terceiros. Pode, até, ter um carácter utilitário: retirem-na e usem-na como separador. Não deixem o livro a sofrer de tédio na estante da sala: toquem-lhe, toquem-lhe muito até que fique maleável, até que o vosso cheiro se confunda com o seu. Depois, leiam-no com autoridade para a criação, como quem lhe dá voz, como quem se embrenha, constrói e desconstrói o caos literário, como quem é guiado, como quem escreve.

É verdade, eu ainda tenho uma ideia romântica dos livros e da literatura, careço de um sentido objectivo, escapo-me muito, emociono-me por existir, e, por isso, troco o pseudo mecenato editorial por esta usurpação pessoal, seguindo (e perseguindo) com rigor, apenas, a vontade.

A distribuição começará a ser feita na segunda semana de Abril. Ainda não há uma lista definitiva de todas as livrarias, mas vim cá prometer que essa será a próxima entrada neste blogue.

Leiam muito e emocionem-se mais.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Zapping sobrea as madrugadas idênticas (perto da emancipação)


Os que aqui passam já sabem disto: O Zapping está para me vir às mãos e o IVA vai voltar a subir. Eu, à semelhança do Jesus Cristo de Pessoa, de finanças não percebo nada, apesar das esperanças um dia depositadas num peteiro com focinho de porco, que um dos meus irmãos tratou de pôr em cacos para comprar chicletes, ou lá o que foi. Estávamos em 1983. Eu tinha 10 anos. Por essa altura, mais ou menos, o FMI passou por cá. E agora eu sei que foi uma injustiça ter culpado os meus irmãos por aquele incidente com o porquinho mealheiro…

Consta que o FMI estará para voltar, mas isto há que crescer e aprender, de formas que, agora, não serei apanhada desprevenida com tostões amealhados num recipiente de cerâmica. Não, mil vezes: “Não!”. Essa coisa de brincar às economias ficou-se por ali, na infância, que é período adequado para a brincadeira. Nunca mais juntei um tostão na vida, juro que não! A vida não está para desilusões, por isso associei-me ao papel com a firme consciência de que, se lhe chegar fogo, arde.

Lições de economia à parte, o que eu quis dizer nos últimos dois parágrafos foi mais ou menos o mesmo que o José Mário Branco disse, quando de “um só jorro” escreveu o que escreveu, inspirado nessa outra visita do FMI, cuja citação (devido, sobretudo, ao enlevo semântico) não resisto a pôr aqui: “Eu quero que o FMI se foda!” e “Quero ser feliz, porra!”.

E agora o que, de facto, interessa: na segunda-feira, um dos meus livros iniciará o seu conturbado período de emancipação: Vai-se embora de mim, embora grite comigo, com o Zé Mário Branco e com quem nos queira acompanhar: “Quero ser feliz, porra!”. “Que tenha uma boa horinha” como alguém já disse.

Passarei por cá com uma lista de livrarias onde o poderão encontrar. Não será extensa, mas poderá cobrir grande parte do território nacional (se é que se lhe pode, ainda, chamar assim).

P.S – Este texto tem uma ou duas passagens irónicas, mas é para ser levado a sério!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Zapping sobre as madrugadas idênticas (sinopse)

Apesar da inspiração na vida de Mata Hari - a espiã holandesa, acusada de agente dupla e condenada pelos franceses, durante a Grande Guerra - o que, de facto, interessa neste romance não é o indivíduo em si, mas aquilo que o domina interiormente: as suas paixões, os seus impulsos, as suas inquietações e um misto de insurreição e subjugação à sua existência.

Um narrador único e sem nome, bisneto inventado a Mata Hari, projecta o seu domínio em dois momentos distintos da história: um que tem início, em Paris, no dia da morte de Mata Hari (1917), e outro que acontece em Lisboa, 86 anos depois, e que assinala dois acontecimentos com sentimentos violentamente contraditórios: o nascimento da sua filha, por um lado, e a morte da sua esposa, por outro.

É com estes rastilhos que se incendeiam dois universos paralelos, tocando-se sempre na diferença dos seus mundos, das suas histórias e na comunhão das suas vontades deambulatórias.

sábado, 18 de setembro de 2010

Zapping sobre as madrugadas idênticas (excerto)

Isto pensava Jean, enquanto afundava as mãos velhas no corpo a envelhecer cada vez mais e já não o sentia tanto. Pensava Jean que precisava de mais luz e deslocava-se para sul. Cada vez mais procurava o sul num desnortear constante. E um dia, pensava Jean que vivia no ponto mais a sul da Europa e vivia no ponto mais a sul da Europa, só que não era bem da Europa que se tratava, era a ocidental praia lusitana: só uma praia com o mar a dar na areia. Pensava Jean que lugar seria aquele, aonde chegara, seguindo a luz e se encontrou no meio das trevas. Pensava Jean que até às trevas chega a luz e punha-se a acender archotes nas mãos, que já não se lhe afundavam só no corpo. Pensava Jean que talvez a luz desse lugar fosse demasiada e turvasse a visão das pessoas, e resolveu ficar por ali na esperança de regular essa luz na medida exacta das suas necessidades. Pensava Jean que se um homem só pode provocar cegueira nas gentes, também ele sozinho poderia iluminar algumas almas. Pensava Jean que na areia da praia poderia fazer um jardim e lá plantaria cravos vermelhos, para mais tarde outros colherem, mas muito mais tarde, que a areia não é local apropriado para grandes culturas. Pensava Jean na sua filha e descobria uma família (e aqui Jean pensava em netos, e nascia a minha irmã, e pensava em mais netos e nascia eu). Pensava Jean no tamanho da sua família e faltava-lhe o sul. Pensava Jean que se voltava, de novo, para norte, e voltava-se de novo para norte, mas não caminhava nessa direcção, porque o cansaço o ia sentando na areia dessa praia imensa. Pensava Jean que afundava as mãos velhas num corpo mais velho que as mãos, e faltavam-lhe forças para pensar que vivia, ainda que só pela ilusão das mãos. Pensava Jean que estava cansado e sobre o que o teria cansado assim tanto. E pensava que ficaria por ali a adivinhar o seu cansaço. Pensava Jean que contaria o seu cansaço e, quando eu colhi, finalmente, o primeiro cravo do seu jardim de areia, ele pensou que me contaria o seu cansaço. Pensava Jean que me contava a sua vida. Pensava eu que a ouvia sem distracções e que aprendia a viver melhor.

Pensava Jean em viver a grande metáfora do mundo, em criar a grande metáfora do mundo. E naquele momento em que perdeu Non, percebeu o significado disso. Percebeu que essa metáfora se procura e se vai crescendo, como um balão a que se propulsione algum ar, mas nunca o ar todo, para que não rebente o balão, para que o ar não se esgote. Percebeu que em 100 anos que vivesse continuaria à procura dessa metáfora. Que a vida lhe imporia que continuasse essa busca na certeza de que a grande metáfora do mundo é aquilo que a realidade dá a viver e se põe a transformar. A grande metáfora da vida é a realidade e a realidade é só o momento em que sentimos. Nenhum dos outros momentos existem, são apenas esboços, traços difusos daquilo que queríamos estar a viver, daquilo que queríamos estar a sentir. Pensava Jean que sentia e que o pensamento era a metáfora desse sentir. E enquanto pensava Jean, passava o tempo em que tudo sentia, em que tudo ia sendo real.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Capítulo XIV (extracto)

Faço-me diletante sobre esta Lisboa escura. Lançou-se sobre a cidade uma poeira que enegrece os rostos das pessoas. As criaturas tristes vieram todas cá atracar, como barcos à deriva. Fazem-se à madrugada e às tardes inférteis. São desocupados, desempregados, rendidos ao rendimento mínimo e a procriar filhos tristes de ano para ano, são velhos com cartões azuis do mini-preço, enfiados no segundo separador da carteira, logo a seguir ao passe social, e fazem conversas aflitas nas paragens de autocarro, cercados por trouxas e sacos de plástico, enrugados pela sucessão dos dias sem esperança; arrastando-se entre pregões de cauteleiros e turistas que deslizam como mel no favo aberto dos carteiristas. E os pagadores de impostos a acotovelarem-se por cima dos horários, a espremerem-se no interior de um cartão de crédito, a fazerem monte num hipermercado aos domingos e feriados, a sumirem-se no interior de um cartão de crédito. E o cheiro forte da lixívia lançada escadas abaixo de um bairro antigo, numa tentativa desalentada de ocultar a fetidez do mijo. E, entre estes e outros odores da cidade nocturna, os artistas, engavetando a vergonha e o desalento numa ideia de projecto sem aprovação à vista, sem arrojo suficiente, sem arte que se imponha ao estigma da arte para as massas, a perderem-se na construção abstracta de outra colina, de onde se possa mirar o vazio encolhido nas multidões.