quinta-feira, 23 de junho de 2011

Importa-se de repetir?

Do périplo realizado até ao momento pelo país, e antes da primeira apresentação no estrangeiro, resultam alguns momentos e frases soltas que me ficaram (mais ou menos) gravados na memória. Fica uma amostra do que tem sido esta peculiar distribuição do Zapping sobre as madrugadas idênticas:

“Tem génio e tem talento!”

Armandina Maia - professora, escritora e crítica literária, referindo-se à autora do livro “zapping sobre as madrugadas idênticas”, na Casa das Artes em Arcos de Valdevez.

“Era um conjunto de folhas muito mal amanhadas…”

Idem, ibidem, sobre as primeiras impressões causadas pelo Zapping no júri do Prémio de Almada.

“Não quero, nem me compete, fazer uma divagação pela história do Homem contemporâneo. Mas Zapping pede que se faça, ao menos, uma breve contextualização, até porque esses anos que vão de 1914 a 1918 são, sem dúvida, um dos marcos fundadores da angústia dos nossos dias”

Luís Novais – escritor, apresentando o Zapping em Braga, na Livraria Capítulos Soltos

“Pá, não podes desvalorizar o teu trabalho! É muito bom e merece ser mostrado!”

Jorge Louraço Figueira – (entre outras coisas) dramaturgo, em conversa que se seguiu à apresentação do Zapping, numa mesa (repleta de bom vinho, diga-se!) do bar Maria vai com as outras, Porto.

“A Eugénia tem coisas para dizer e isso é bom e raro!”

Anabela Campos – pessoa que ali estava (e que tem estado sempre e bem) a ouvir, a falar e a ler, entre muitas pessoas que também estão sempre bem e que também leram e conversaram, com vagar, na Livraria Ler Devagar, em Lisboa.

“Vamos tomar o pequeno-almoço na praia!”

Aménia Grangeia – pessoa que gosta de mim e de quem eu gosto também, depois do que não se passou no “Mercado Negro”, em Aveiro. (Foi um belo pequeno-almoço!)

“Eu sabia que havia uma razão muito forte para a Eugénia estar aqui (…) Nunca a apresentação de um autor à própria obra me surpreendeu tanto(…) Obrigada pela sua escrita!”

Liliana Palhinha, Livraria Pátio de Letras, Faro

“O vinho é mesmo bom!”

Pessoa que evidentemente sabe o que é viver, em referência ao vinho que acompanhou algumas das leituras e conversas sobre o Zapping, O Monte da Peceguina, da Herdade da Malhadinha Nova.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pequeno incentivo de abate à inércia

São onze da manhã de um dia qualquer e eu sinto-me bem. Isto é uma advertência a quem possa duvidar do meu estado emocional. Sinto-me bem e tenho consciência disso. É inoportuno sugerir que se não tivesse consciência me sentiria ainda melhor. É ineficaz argumentar que mais vale não saber, não querer saber, não me doer, não me ofender, porque quem não se sente não é de boa gente, e eu sou.

Sinto-me bem porque vivo num país de promessas muito bem desenhadas, que se estava mesmo a ver que eram só promessas, num país feito para ser desfeiteado, mas que nem isso conseguiu fazer sem ajuda externa. Tudo muito bem delimitadinho há séculos, pelas suas fronteiras (arte suprema deste país: a cartografia que se exibe em museus e que não serve para nada, a não ser pôr-nos a sonhar com aquilo que já lá vai!), aqui nos encontramos em pleno exercício de convulsões de uma doença grave: a esperança no futuro. E sabendo que, logo que acabe a febre, nascerá uma outra bem pior: a falta de crédito no presente. Sim, é isto o futuro. Não me venham visionários dizer que é para além disso, que eu arremesso-lhes com um tsunami (mar para isso não nos falta e, se lhe dá para se revoltar, acaba de vez com isto e pronto. Fica a batata quente bem entregue, alastra este mal Europa acima e ficam os espanhóis com os louros de serem finalmente a irredutível cauda deste continente com a puta da mania da responsabilidade e inviolável conduta, de espezinhar e segregar todos quantos não se entendem na riqueza especulativa dos mercados do nada da variação do spread, que é ilusória, tudo muito bem, mas quem é que disse que a ilusão não alimenta?! Ah?!

– E já agora, quem é que diz que alimenta? Ah?!

– Dominique quê?! – Strauss?!, Angela Merkel?, Nikolai Sarkozi?, Timo Soini?, George Osborne (o tal que acusa Sócrates de se ter importado demasiado com o seu quintal, mal sabendo que não havia nisto metáfora alguma!), José Sócrates?! – mas quem é esta gente? - Uma corja de fazer corar os Bórgias, mas que em menos de duas décadas ninguém saberá quem são, porque tão habituados estão a foder mal, que se esquecem que isso implica prazer e que até para se ter prazer é preciso ter talento, e neste conceito particular todos possuem apenas a variante da antiga moeda de ouro dos gregos e romanos: têm montes de talento nos bolsos e nenhuma aptidão natural ou adquirida para o êxito desta palhaçada toda que se chama Europa!

Por mim, colocavam-se todos em filinha, à frente do senhor Strauss (que ao deboche nunca se negaria!) num exercício desajeitado de sodomia (Merkel incluída, nesta bicha, munida de todos os seus argumentos de aço e arame farpado para que arranhe bem, de preferência o cu do Sarkozy, até que o sangue escorra e se afogue nele!), a ver se finalmente percebem como fodem mal, como são tristes por estarem tão condenados à indiferença da história! Vão com sorte se a imortalidade lhes chegar por aqui, por esta execrável imagem de depravação, que é o que eles merecem e é por isso que se batem, quando dizem que se batem por alguma coisa!

E tu, que ainda aí estás a acabar o teu riso, a tua estupefacção, a tua indignação de pessoa de bem, muito educadinha, que até vestiu o fato de domingo… Para quê, ah?! – Para te pores também na fila?! – Ah, mas a ti, ninguém te toma por lorpa, meu grande espertalhão! Mostras preferências requintadas, não é qualquer posição que te serve, dás o golpe na fila, empurrando uma ou duas figuras que lá apareceram à socapa, até fazes um rap com isso: Lino Pino Lino Pino, e zás! – enfias-te mesmo à frente do Sócrates, porque já lhe conheces o jeito para te enrabar, não é meu mandrião? Pois é, há que jogar pelo seguro, que nós aqui somos todos gente honrada e respeitadora e nunca atrás vem melhor. Pois não, meu calaceiro, atrás não vem melhor porque atrás está o MESMO, ou a sua CÓPIA (ou ainda não estás a reconhecer o órgão que te põe a ranger de dor, sua porta de aldrabas velhas!? Será que o queres mais dentro?).

– Queres que te diga? – Ficas bem nessa fila, no teu fatinho impecável com as calças descidas até aos calcanhares

– Não sabias, ao menos, segurá-las nos joelhos, meu concupiscente assanhado!? – Ficas tão bem tu aí, como eu aqui, a ver-te entrar nela de peito erguido, cheio de ti, preparadinho para encher ainda mais! Anda lá, entra nessa, que eu vejo e continuo a sentir-me bem!

Olha lá para mim a sentir-me bem por tu estares aí e eu a ter o que dizer de ti! Olha como eu gosto de deixar aberta a torneira da malvadez e de te regar até que te afogues ou dês aos bracinhos e às perninhas! – A escolha é tua! Tu é que sabes! – O meu trabalhinho é este. Faço-o melhor que sei, vê bem, o melhor que sei é isto! E não, não li Sade, ainda não! E sabes porquê?! Porque para te ver a ser enrabado consecutiva e continuamente não preciso da literatura para nada! Preciso é de olhinhos e esses, bem ou mal, ainda te conseguem ver, mas só até ao dia em que não te suportem ver, meu código de barras desfocado!

Mas tu não és eu! Tu precisas de literatura e de livros que te encham a barriguinha do pensar, do bem pensar! E vê lá, não te distraias! Os livros andam a ser abatidos! – Ai não sabias?! Não sabias que numa das pinocadas destes senhores que nos governam (só podem fazer aquilo distraídos ou a gente muito distraída), saiu uma lei de incentivo ao abate ao livro?! – Não, não é de carros, isso ainda é complicado, que eu já tentei e não deu. É de livros! Livros abatidos por senhores que os mandam fazer e, depois, fazem de tudo para se desfazerem deles. Quanto mais rápido melhor, quanto menos pessoas souberem da sua existência, melhor! Por isso, vê lá, vai a correr a uma livraria e pilha tudo quanto puderes! – Caros?! Se são caros, por que os abatem? Por que não os dão ao desbarato? Já que não dão pão, ao menos livros, que parece que neste país de pançudos, pão não há, mas no mesmo país de iletrados, os livros são uma praga digna de erradicação!

É, sem dúvida, um país de génios! Esquecemo-nos é que os génios também têm fome! Mas não te preocupes, que eles explicam-te tudo direitinho, explicam-te, outra vez que isto é o mercado, que isto é a economia a funcionar e tu envergonhas-te, coras, por não saberes nada de economia, e voltas para a tua filinha a dar-lhes razão!

– Olha que, o verdadeiro brilhantismo deles não é porem-te na fila, é que TU te ponhas lá de livre e espontânea vontade e dês o cuzinho uma e outra vez até que ele desista dessa mania da escatologia e que seja por aí que TU começas a pensar: pelo fim!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Olhó Livro Fresquinho!


Amig@s:

Acabo de abrir (agora mesmo) o grande e monumental concurso: "Olhó Livro Fresquinho":)

Consiste isto no seguinte: oferecer um livro à pessoa que, de forma mais expedita e com um sentido literário mais ou menos alinhavado, se atreva a escrever um comentário neste blogue, usando as palavras: "Zapping", "Vinho" e "acadar". (Esta última porque é um regionalismo que muito poucos conhecem e assim sempre têm algum trabalho, coisa que faz muito bem à alma e à produtividade do país!).

O júri será constituído por um jurado único, a minha mãe, que para além de ser pessoa de idoneidade assinalável, não tem a mania que sabe de literatura, mas sabe. sabe de tudo, como compete às mães.
Tenham um bom dia e palavras afinadas!

nota: o livro em questão é o "Zapping sobre as madrugadas idênticas" aí de uma pessoa que muito estimo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Boas notícias

O Boas notícias, esse mundo de comunicação do eixo do bem, considera a edição e distribuição do "zapping sobre as madrugadas idênticas" uma notícia boa. Acho que percebo porquê e gostava muito que vocês também percebessem a brutalidade que é isto de ser-se autor neste país. Mas a minha indignação ainda "vai no adro", por isso espero que rebente para vos entregar em mãos os estilhaços dessa condição.
Os meus parabéns ao Boas Notícias pelo espaço singular que apresenta. Que seja, de facto, um mundo em crescimento.
Parece-me que a seguir vem um link, mas não garanto:)


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Também tenho o meu manifestozinho de bolso

A vida corre-me de feição. Tenho as faces rosadas porque estive ao sol e porque é meu, um pedaço de terra, onde alguém plantou couves, batatas, morangos, alface e outras coisas com cor, que me hão-de saber bem tanto a uma segunda-feira à noite como num almoço de domingo (porque eu ainda almoço aos domingos). A vida corre-me de feição porque sei a temperatura da terra, quando os meus pés descalços lá poisam e não se festeja coisa nenhuma. Só se está ali com os pés na terra, porque há que mondar as ervas inconvenientes. Sou feliz porque aprendi isto: o verde das ervas não é todo igual, lá porque as ervas são ervas e não temos a sabedoria de as distinguir pelo nome. Mas um conhecimento que nos chegou pelo suor, coloca-nos a separar sabiamente as ervas daninhas das outras.

A vida corre-me de feição porque sei coisas simples como esta: se o escaravelho pegar firme no batatal não há troika que lhe valha (não, não se reúnem três vizinhos caridosos para distribuírem a sua colheita boa pelo meu infortúnio natural, até porque sendo o infortúnio natural, o mais provável é que os vizinhos não estejam em melhores lençóis, e se afirmam que estão, mentem). O que se pode fazer é aproveitar pacientemente o que há de bom, sabendo de antemão que o que se vai revolver da terra é maioritariamente podridão e vácuo, e que tanto uma coisa como outra exalam odores pestilentos. Há que plantar de novo, há que cuidar de novo, há que estar atento de novo, há que colher de novo, sabendo que a colheita pode não ser farta, mas terá que chegar.

Estar perto da terra tira-nos, em certa medida, a sensação de alarme. É, por isso, natural que a nação esteja alarmada: fugiu da terra, escarneceu da sua riqueza telúrica, empinocou-se de podridão e alimentou-se de vácuo, e foi de tal forma insensível, que nem o fedor, que o vento sempre acarretou, lhe aflorou as narinas.

A vida corre-me de feição. Aprendi a semear palavras num papel branco, como quem planta batatas: sabendo que, independentemente da posição em que se coloque na terra, ela há-de procurar e encontrar a luz.

A vida corre-me de feição porque, em termos de escrita, eu ainda não cheguei a rama de batata, ainda não me incomodou o escaravelho, ainda não me bateram vizinhos vaidosos à porta, escarnecendo do meu (des)mérito. Mas eu de batatas sei pouco. A minha especialidade são os tremoços, que, como alguém me dizia hoje, não se percebe o que tenham a menos que a trufa. E não, não se percebe.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Apresentações, lançamentos, arremessos e outros modos de vos dar com isto!

Caríssim@s,

Andarei por estes dias e locais a fazer conversa, leituras (e outras inexpugnáveis diabruras:) com e por causa do livro "Zapping sobre as madrugadas idênticas":

29 de Abril: Livraria Centésima Página, Braga;
1 de Maio: Auditório da casa das artes, Arcos de Valdevez;
14 de maio: Maria vai com as outras, Porto;
20 de Maio: Livraria Ler Devagar, Lisboa;
27 de Maio: Mercado Negro, Aveiro;
28 de Maio: Livraria Capítulos soltos, Braga;
3 de Junho: Livraria Pátio de Letras, Faro;


Estarei (quase) sempre acompanhada por pessoas suficientemente audazes para não se importarem com isso de figurarem ao meu lado e, lá uma vez por outra, prometemos surpreender até os mais prevenidos.
Apareçam, como e onde puderem e levem um/a amigo/a! Não precisa de ser giro/a, desde que goste de ler... e vice-versa:).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Livrarias com "zapping sobre as madrugadas idênticas"

O "zapping sobre as madrugadas idênticas" encontra-se nas seguintes livrarias independentes (se ainda não se encontra em todas, vai a caminho).

Arcos de Valdevez: Associação Padre Himalaya; Papelaria moderna; Livraria e papelaria Arco-íris, e Casa das artes;

Aveiro: Mercado Negro;

Berlim (sim, Alemanha!): A Livraria (Torstr. 159);

Braga: Livraria Centésima Página; Librobraga; Bracara e Livraria Minho;

Casa do professor: loja online;

Évora: Livraria Nazareth;

Faro: Pátio de Letras;

Funchal:Livraria Esperança;

Guimarães: A loja do Júlio alfarrabista e Livraria Pinto Santos;

Lisboa: Letra Livre, Pó dos livros e Ler devagar;

Montemor-o-Novo: Fonte das Letras;

Ponte da Barca: Belião;

Porto: Index Livraria, Livraria Lello e maria vai com as outras;

Póvoa de Varzim: Livraria Minerva;

Sines: A. das Artes;

Sta Maria da Feira: Vício de Letras;

Vila Real: Livraria e papelaria Branco;

Viana do Castelo: Geográfica Livraria;

Viseu: Livraria Pretexto.