terça-feira, 17 de maio de 2011

Olhó Livro Fresquinho!


Amig@s:

Acabo de abrir (agora mesmo) o grande e monumental concurso: "Olhó Livro Fresquinho":)

Consiste isto no seguinte: oferecer um livro à pessoa que, de forma mais expedita e com um sentido literário mais ou menos alinhavado, se atreva a escrever um comentário neste blogue, usando as palavras: "Zapping", "Vinho" e "acadar". (Esta última porque é um regionalismo que muito poucos conhecem e assim sempre têm algum trabalho, coisa que faz muito bem à alma e à produtividade do país!).

O júri será constituído por um jurado único, a minha mãe, que para além de ser pessoa de idoneidade assinalável, não tem a mania que sabe de literatura, mas sabe. sabe de tudo, como compete às mães.
Tenham um bom dia e palavras afinadas!

nota: o livro em questão é o "Zapping sobre as madrugadas idênticas" aí de uma pessoa que muito estimo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Boas notícias

O Boas notícias, esse mundo de comunicação do eixo do bem, considera a edição e distribuição do "zapping sobre as madrugadas idênticas" uma notícia boa. Acho que percebo porquê e gostava muito que vocês também percebessem a brutalidade que é isto de ser-se autor neste país. Mas a minha indignação ainda "vai no adro", por isso espero que rebente para vos entregar em mãos os estilhaços dessa condição.
Os meus parabéns ao Boas Notícias pelo espaço singular que apresenta. Que seja, de facto, um mundo em crescimento.
Parece-me que a seguir vem um link, mas não garanto:)


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Também tenho o meu manifestozinho de bolso

A vida corre-me de feição. Tenho as faces rosadas porque estive ao sol e porque é meu, um pedaço de terra, onde alguém plantou couves, batatas, morangos, alface e outras coisas com cor, que me hão-de saber bem tanto a uma segunda-feira à noite como num almoço de domingo (porque eu ainda almoço aos domingos). A vida corre-me de feição porque sei a temperatura da terra, quando os meus pés descalços lá poisam e não se festeja coisa nenhuma. Só se está ali com os pés na terra, porque há que mondar as ervas inconvenientes. Sou feliz porque aprendi isto: o verde das ervas não é todo igual, lá porque as ervas são ervas e não temos a sabedoria de as distinguir pelo nome. Mas um conhecimento que nos chegou pelo suor, coloca-nos a separar sabiamente as ervas daninhas das outras.

A vida corre-me de feição porque sei coisas simples como esta: se o escaravelho pegar firme no batatal não há troika que lhe valha (não, não se reúnem três vizinhos caridosos para distribuírem a sua colheita boa pelo meu infortúnio natural, até porque sendo o infortúnio natural, o mais provável é que os vizinhos não estejam em melhores lençóis, e se afirmam que estão, mentem). O que se pode fazer é aproveitar pacientemente o que há de bom, sabendo de antemão que o que se vai revolver da terra é maioritariamente podridão e vácuo, e que tanto uma coisa como outra exalam odores pestilentos. Há que plantar de novo, há que cuidar de novo, há que estar atento de novo, há que colher de novo, sabendo que a colheita pode não ser farta, mas terá que chegar.

Estar perto da terra tira-nos, em certa medida, a sensação de alarme. É, por isso, natural que a nação esteja alarmada: fugiu da terra, escarneceu da sua riqueza telúrica, empinocou-se de podridão e alimentou-se de vácuo, e foi de tal forma insensível, que nem o fedor, que o vento sempre acarretou, lhe aflorou as narinas.

A vida corre-me de feição. Aprendi a semear palavras num papel branco, como quem planta batatas: sabendo que, independentemente da posição em que se coloque na terra, ela há-de procurar e encontrar a luz.

A vida corre-me de feição porque, em termos de escrita, eu ainda não cheguei a rama de batata, ainda não me incomodou o escaravelho, ainda não me bateram vizinhos vaidosos à porta, escarnecendo do meu (des)mérito. Mas eu de batatas sei pouco. A minha especialidade são os tremoços, que, como alguém me dizia hoje, não se percebe o que tenham a menos que a trufa. E não, não se percebe.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Apresentações, lançamentos, arremessos e outros modos de vos dar com isto!

Caríssim@s,

Andarei por estes dias e locais a fazer conversa, leituras (e outras inexpugnáveis diabruras:) com e por causa do livro "Zapping sobre as madrugadas idênticas":

29 de Abril: Livraria Centésima Página, Braga;
1 de Maio: Auditório da casa das artes, Arcos de Valdevez;
14 de maio: Maria vai com as outras, Porto;
20 de Maio: Livraria Ler Devagar, Lisboa;
27 de Maio: Mercado Negro, Aveiro;
28 de Maio: Livraria Capítulos soltos, Braga;
3 de Junho: Livraria Pátio de Letras, Faro;


Estarei (quase) sempre acompanhada por pessoas suficientemente audazes para não se importarem com isso de figurarem ao meu lado e, lá uma vez por outra, prometemos surpreender até os mais prevenidos.
Apareçam, como e onde puderem e levem um/a amigo/a! Não precisa de ser giro/a, desde que goste de ler... e vice-versa:).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Livrarias com "zapping sobre as madrugadas idênticas"

O "zapping sobre as madrugadas idênticas" encontra-se nas seguintes livrarias independentes (se ainda não se encontra em todas, vai a caminho).

Arcos de Valdevez: Associação Padre Himalaya; Papelaria moderna; Livraria e papelaria Arco-íris, e Casa das artes;

Aveiro: Mercado Negro;

Berlim (sim, Alemanha!): A Livraria (Torstr. 159);

Braga: Livraria Centésima Página; Librobraga; Bracara e Livraria Minho;

Casa do professor: loja online;

Évora: Livraria Nazareth;

Faro: Pátio de Letras;

Funchal:Livraria Esperança;

Guimarães: A loja do Júlio alfarrabista e Livraria Pinto Santos;

Lisboa: Letra Livre, Pó dos livros e Ler devagar;

Montemor-o-Novo: Fonte das Letras;

Ponte da Barca: Belião;

Porto: Index Livraria, Livraria Lello e maria vai com as outras;

Póvoa de Varzim: Livraria Minerva;

Sines: A. das Artes;

Sta Maria da Feira: Vício de Letras;

Vila Real: Livraria e papelaria Branco;

Viana do Castelo: Geográfica Livraria;

Viseu: Livraria Pretexto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Zapping sobre as madrugadas idênticas (generalizações românticas)


Como sabem, o Zapping sobre as madrugadas idênticas já me veio parar às mãos. O que muitos não sabem é que optei por fazer uma edição de autor. O risco é grande, as razões para esta decisão são várias, mas (juízos de valor sobre editores e editoras à parte) vou destacar uma: apetece-me intervir no mercado dos livros e mostrar que o mercado tradicional nos faz melhor, nos serve melhor e nos sabe melhor.

Por isso, resolvi distribuir o livro apenas em livrarias independentes, a cargo de pessoas que realmente gostam de livros e de literatura, e afastá-lo o mais possível das mãos dos grandes grupos livreiros, que se foram instalando nas grandes superfícies comerciais, onde grandes quantidades de pessoas se acotovelam em busca da última geringonça tecnológica e, sem querer, esbarram com um ou outro livro com pinta de best-seller e/ou aqueloutro que foi Nobel, envolto numa faixa pirosa com muitas frases de pessoas muito impressionadas a desfazerem-se em bajulações impressionantes. Não se lhes resiste e compram-se. Ficarão bem na estante da sala, certamente.

O zapping sobre as madrugadas idênticas também leva uma faixa. Não é pirosa. Não é pirosa. Não é pirosa. Repito-o mais para me convencer a mim do que a terceiros. Pode, até, ter um carácter utilitário: retirem-na e usem-na como separador. Não deixem o livro a sofrer de tédio na estante da sala: toquem-lhe, toquem-lhe muito até que fique maleável, até que o vosso cheiro se confunda com o seu. Depois, leiam-no com autoridade para a criação, como quem lhe dá voz, como quem se embrenha, constrói e desconstrói o caos literário, como quem é guiado, como quem escreve.

É verdade, eu ainda tenho uma ideia romântica dos livros e da literatura, careço de um sentido objectivo, escapo-me muito, emociono-me por existir, e, por isso, troco o pseudo mecenato editorial por esta usurpação pessoal, seguindo (e perseguindo) com rigor, apenas, a vontade.

A distribuição começará a ser feita na segunda semana de Abril. Ainda não há uma lista definitiva de todas as livrarias, mas vim cá prometer que essa será a próxima entrada neste blogue.

Leiam muito e emocionem-se mais.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Zapping sobrea as madrugadas idênticas (perto da emancipação)


Os que aqui passam já sabem disto: O Zapping está para me vir às mãos e o IVA vai voltar a subir. Eu, à semelhança do Jesus Cristo de Pessoa, de finanças não percebo nada, apesar das esperanças um dia depositadas num peteiro com focinho de porco, que um dos meus irmãos tratou de pôr em cacos para comprar chicletes, ou lá o que foi. Estávamos em 1983. Eu tinha 10 anos. Por essa altura, mais ou menos, o FMI passou por cá. E agora eu sei que foi uma injustiça ter culpado os meus irmãos por aquele incidente com o porquinho mealheiro…

Consta que o FMI estará para voltar, mas isto há que crescer e aprender, de formas que, agora, não serei apanhada desprevenida com tostões amealhados num recipiente de cerâmica. Não, mil vezes: “Não!”. Essa coisa de brincar às economias ficou-se por ali, na infância, que é período adequado para a brincadeira. Nunca mais juntei um tostão na vida, juro que não! A vida não está para desilusões, por isso associei-me ao papel com a firme consciência de que, se lhe chegar fogo, arde.

Lições de economia à parte, o que eu quis dizer nos últimos dois parágrafos foi mais ou menos o mesmo que o José Mário Branco disse, quando de “um só jorro” escreveu o que escreveu, inspirado nessa outra visita do FMI, cuja citação (devido, sobretudo, ao enlevo semântico) não resisto a pôr aqui: “Eu quero que o FMI se foda!” e “Quero ser feliz, porra!”.

E agora o que, de facto, interessa: na segunda-feira, um dos meus livros iniciará o seu conturbado período de emancipação: Vai-se embora de mim, embora grite comigo, com o Zé Mário Branco e com quem nos queira acompanhar: “Quero ser feliz, porra!”. “Que tenha uma boa horinha” como alguém já disse.

Passarei por cá com uma lista de livrarias onde o poderão encontrar. Não será extensa, mas poderá cobrir grande parte do território nacional (se é que se lhe pode, ainda, chamar assim).

P.S – Este texto tem uma ou duas passagens irónicas, mas é para ser levado a sério!